Aluno ou Estudante? O Erro que Está Travando sua Aprovação em Concursos de TI

Você já teve a frustração de assistir dezenas de aulas ou ler centenas de páginas de PDF e, quando chega a hora de fazer o concurso, resolver questões ou fazer simulados, dá aquele branco? Você percebe que não absorveu nada, não aprendeu nada, não entendeu nada — apesar de ter assistido a todas as aulas e lido centenas de páginas de material?

Pois então. Tem uma coisa muito importante que eu preciso falar para você. Como dizia o saudoso e brilhante professor Perrenoud: aluno é aquele que assiste aula; estudante é aquele que estuda. Existe uma confusão muito grande em relação a isso, e muita gente hoje em dia vive nessa situação, achando que é estudante quando, na verdade, é somente aluno.

Vou mostrar para você qual é a diferença e como isso pode auxiliar você a ser aprovado em concurso público, especialmente na área de TI.

A diferença entre aluno e estudante

Certamente você foi uma pessoa que aprendeu no método tradicional de ensino — aquele método da escola, da alfabetização até o 9º ano do ensino fundamental, depois o ensino médio, e dali para a faculdade. E o que você percebe, especialmente até concluir o ensino médio, é que você praticamente faz o papel muito mais de aluno do que realmente de estudante.

O aluno é aquela pessoa que está todo dia na aula, sentada na carteira, ouvindo o professor, fazendo anotações e vai para casa. Você está matriculado numa escola, num curso, numa faculdade, e simplesmente assiste aulas, consome conteúdos — porém você não tem realmente aquela intenção de aprender.

Aprender é um processo cognitivo. Quando você começa a aprender algo novo, o seu cérebro cria novas conexões neurais — suas sinapses começam a trabalhar e a construir novas conexões. É um processo natural, cerebral. E para isso acontecer, você precisa ter intencionalidade no aprendizado.

Vou falar algo que até depõe contra mim. Eu já tive vontade de aprender música, por exemplo, de tocar violão. Cheguei até a comprar um violão e me inscrever em um curso online. Mas no primeiro dia, quando comecei a treinar a troca de acordes, desisti. Por quê? Porque eu achei o trabalho chato, maçante, complexo. Eu achava que meu tempo não dava para aprender aquilo.

Na verdade, não é questão de tempo — é de consistência. E essa é uma palavra muito importante para você se tornar um estudante.

Consistência é mais importante que tempo

Eu atendo muitos alunos de mentoria e consultoria que às vezes têm 2 ou 3 horas por dia para estudar. Eu costumo dizer que o mundo ideal é ter pelo menos 4 horas diárias para estudar — sempre que você puder, separe esse tempo hábil para ter um estudo de qualidade, conciso, e para abranger bastante conteúdo, porque concurso público tem muitas disciplinas, muitos conhecimentos, muitos termos técnicos, especialmente na área de TI.

Mas o que é mais importante do que ter tempo hábil é a consistência no aprendizado. Se você separa todo dia duas horas para estudar um assunto, pegar seu material — seja videoaula, seja PDF — e consistentemente, todo santo dia, fazer aquilo, a tendência é que você aprenda aquilo em algum momento.

É mais importante ter consistência do que estudar muitas horas em um único dia. É melhor estudar 2 horas por dia, de segunda a sábado (6 x 2 = 12 horas semanais), do que pegar um dia no fim de semana e estudar 12 horas seguidas. Cognitivamente, pela questão cerebral, é mais interessante você estudar todo santo dia, porque você vai trabalhando a sinapse nervosa, criando novas conexões cerebrais, do que estudar muitas horas uma vez na semana.

Inclusive, o livro que eu uso muito como referência — e que recomendo sempre, inclusive com um minicurso disponível aqui no canal — é o Ultraaprendizado, do Scott Young. Ele fala muito sobre isso: é mais importante você ter consistência no aprendizado, fazer diariamente algo, do que separar horas em um único dia da semana.

Existem muitos casos comprovados de que é mais importante ter consistência do que utilizar um dia na semana para estudar muitas horas exaustivamente. Seu cérebro começa a ter uma plasticidade melhor e absorve melhor quando você consegue diluir isso em uma certa quantidade de tempo, sem sobrecarregar o cérebro.

Minha experiência pessoal: aprendendo x decorando

Certamente você teve essa experiência na escola tradicional. Eu, particularmente, dificilmente estudava para prova no ensino fundamental e médio. Eu não anotava dias de prova, não pegava a caneta no dia anterior para estudar. A minha intenção, quando eu ia para a escola, era aprender na sala de aula, compreender o tema, o assunto.

Às vezes chegava em casa, lia o conteúdo, lia o assunto para aprender aquilo. Minha preocupação não era memorizar, decorar para no dia da prova ficar desesperado lendo tantas partes. Eu preferia aprender aquilo, entender aquilo, para chegar no dia da prova e fazer as questões.

O que aconteceu na prática? Eu era aluno nota oito. Às vezes tirava um sete, mas geralmente a média ficava em oito. Não tirava 10, não tirava 9 com frequência. Por quê? Porque eu não pegava conteúdo para ficar lendo, decorando.

Eu conheci muitos colegas que eram nota 10, eram brilhantes, acertavam muitas questões de prova. Mas olhando para a maioria dos colegas que eu conheci, a maioria deles não está na mesma situação que eu. Não estou dizendo que sou melhor que ninguém, obviamente. Mas o que eu quero dizer é que não alcançaram cargos públicos igual eu alcancei, não alcançaram a situação financeira ou uma colocação no mercado igual eu alcancei.

Por quê? Porque eles não eram inteligentes? Não, não é isso. É porque provavelmente a força que eles impuseram durante o período de escola foi somente para aprender para decorar um conteúdo como aluno, e não para aprender de fato como estudante.

É diferente você ser um aluno e frequentar uma escola, e ser um estudante. O estudante é aquele que recebe o conteúdo, a aula, o material, o professor explica, e quando chega em casa, vai revisar o conteúdo, revisar o material, compreender aquele assunto, entender o que o professor quis dizer com aquilo — e vai aprender de fato, não decorar, memorizar.

A tríade do conhecimento: conceitos, fatos e procedimentos

Claro, não vou dizer que todas as coisas são assim. Nossa mente, nosso cérebro — a regra é você esquecer. A regra é você esquecer. Então, sempre que necessário, você precisa fazer revisão de certos tópicos para lembrar de assuntos. Mas tem coisas que, quando eu bato o olho, eu lembro. Por quê? Porque eu aprendi, não foi uma coisa que eu decorei simplesmente para passar de ano.

Eu sei o que é aquilo. Li tanto sobre o assunto, pesquisei tanto sobre o conteúdo, li constantemente. E leitura é algo muito importante, trabalha muito o cérebro. Leia bastante. E quando eu digo "leia", não é só ler material, conteúdo que você gosta — como um romance. Leia material robusto, livros técnicos.

Para você aprender para concurso, você precisa ler um conteúdo como lê um livro do Tanenbaum, do Stallings — são conteúdos densos que vão te ajudar a compreender tecnicamente melhor o assunto. E aí, na hora de uma prova — até mesmo daquelas provas "impossíveis" — você consegue acertar. Por quê? Porque você já tem um arcabouço, um conhecimento consolidado.

E isso você começa fazendo o quê? Lendo não só materiais enxutos como PDFs e videoaulas, mas lendo materiais mais densos, porque você vai começar a criar uma solidificação de conhecimento, e aquilo vai fixar na tua mente.

📚 Conceitos

Aquilo que você precisa aprender, entender o fundamento. O que é uma linguagem de programação? O que é um banco de dados? O que é uma rede de computadores? O que é aprendizado de máquina?

📝 Fatos

Aquilo que você precisa memorizar, é o decoreba. As portas dos protocolos, os nomes dos protocolos e as portas relacionadas a esses protocolos. Tem que saber qual é a porta correspondente.

⚙️ Procedimentos

Aquilo que você precisa treinar para aprender na prática. Linguagem de programação, banco de dados — precisa treinar, digitar, praticar código para fixar pela prática. É a procedimentalização.

Essa é a tríade do conhecimento: conceitos, fatos e procedimentos. Tudo isso está interligado a você ser um estudante.

Exemplo prático: minha experiência em Brasília

Eu sempre trago aqui um exemplo pessoal meu. Quando eu cheguei aqui em Brasília e comecei a trabalhar na área de TI, em poucos meses — menos de 7 ou 8 meses — eu consegui dominar a área em que eu trabalhava. Por que eu consegui dominar? Porque eu sabia os conceitos, sabia os fundamentos, e eu só interliguei o conhecimento que aprendi estudando para concurso com o trabalho no dia a dia.

Por quê? Porque eu tenho uma mente de estudante. Eu não sei algo, mas eu vou aprender. Assim como eu estudei para concurso para aprender e ser aprovado, eu faço o mesmo na área em que eu trabalho. Eu vou pesquisar a fundo e vou aplicar na prática. Perguntar para alguém: "Fulano, você trabalha nessa área? Me mostra como você entra no sistema e faz isso?"

E aí eu não só entendia a prática de executar, mas o porquê de executar aquilo. "Ah, eu posso liberar essa porta? Por quê? Porque essa porta pode causar uma fragilidade. Não posso autorizar a instalação desse software porque ele não está dentro da arquitetura de referência."

Eu conseguia explicar para o gestor, que estava precisando de autorização, o porquê não podia, o porquê podia, e como funcionava a infraestrutura. A maioria das pessoas com quem eu lidava eram desenvolvedores, então eles tinham pouco conhecimento de infraestrutura.

Mas veja: eu tinha uma mente estudante. Então pense nisso. Você não vai só ter uma mente estudante para fazer concurso, mas para trabalhar também.

A Técnica Feynman: aprenda de verdade

E aí vi uma técnica que eu não vou me estender muito aqui, porque senão o vídeo vai ficar muito longo — mas que é a Técnica Feynman. Feynman, inclusive, veio ao Brasil. Ele perguntava para crianças e adolescentes sobre alguma teoria de física, e os alunos não sabiam explicar.

Ele percebeu que eles decoravam, mas não sabiam, não entendiam aquilo que estavam falando. Eles só aprenderam a reproduzir, a repetir. Eles não sabiam o que era aquilo.

A Técnica Feynman consiste em você estudar algo, aprender algo, de modo que você consiga explicar de maneira fácil para qualquer pessoa — inclusive para uma criança. Se você aprendeu um conteúdo, você consegue passar para uma criança com facilidade aquele conteúdo.

E por que Feynman fazia isso? Ele não se contentava em dizer "o celular funciona". Ele queria entender como o celular funcionava — como funcionavam as peças, os circuitos, como pegava sinal, de onde saía o sinal, qual era a torre, qual o tipo de sinal, qual a frequência das ondas de sinal.

Curiosamente, se você for ler o livro do Tanenbaum, ele fala muito sobre isso. Ele explica como funciona nas redes de computadores, tem uma parte só falando sobre a tecnologia de celulares, explica como funcionam as ondas dos celulares, as ondas mais antigas (CDMA), o 5G, o 4G, o 3G — ele vai esmiuçando como as torres propagam aqueles sinais.

Então, não era só o fato de saber que o celular funcionava. Ele queria saber a fundo o porquê e o como funcionava.

Cada vez mais vai ser assim nas provas de concurso. As bancas não querem mais que você diga se algo é isso ou aquilo. Elas querem entender se você conhece aquilo a fundo, e vão explorar o teu conhecimento.

Mas para você se dar bem — especialmente em provas discursivas, mas também em provas objetivas — você precisa ter um conhecimento pleno, bem fundamentado e bem esmiuçado.

Já vi provas, especialmente da FGV, que cobram isso. Por exemplo, na CGU, colocaram uma questão voltada para a área de infraestrutura: tinha um desenho de uma rede de computadores, com as conexões, os IPs, um roteador, as redes A, B, C. Eles perguntavam como funcionava, qual era o comando que você usava para ver os detalhes daquela rede, qual era a máscara, qual era o broadcast, quantos hosts aquela rede tinha.

Ou seja, você tinha que ter o conhecimento mesmo. Para quem era técnico e estava na área e conhecia bem, show de bola. Talvez quem tivesse prática saberia. Mas quem não era técnico teria que ter um conhecimento um pouco mais aprofundado, ou pelo menos um conhecimento mais curioso, de estudante, para entender como funciona todo aquele universo de redes de computadores.

Tenha a mente de estudante

Sobre ter um conhecimento aprofundado de estudante, ter aquela vontade de esmiuçar: assistir a videoaula, assistir ao PDF, não é você sentar na cadeira e achar que acabou por ali. "Ah, fiz minha parte, li meu PDF, assisti minha videoaula, agora vou..." Não.

Teste. De preferência no dia seguinte. Aqui vai uma dica que eu sempre falo com meus mentorados: estudou hoje, amanhã faz questões, faz flashcard amanhã. Para quê? Para você buscar, você saber se você entendeu algo.

Não ficar achando. As pessoas acham que aprenderam, mas no fundo, no fundo, elas não aprenderam. Elas apenas decoraram, memorizaram algo ali. Ou, na hora que estavam lendo ou vendo a videoaula, acharam que aprenderam — mas depois não lembram nada do que assistiram, do que leram. Então, na verdade, não aprenderam. Enganaram a si mesmas, achando que aprenderam.

Tenha a mente de um estudante, e não de um aluno. Não venha me falar: "Ah, eu fechei o edital, consegui assistir todas as videoaulas, consegui ler todos os PDFs". Mas e aí, como está o seu desempenho nas questões? Como está o seu desempenho no simulado? Como está o seu desempenho nas provas de concurso?

E quando eu falo desempenho em prova de concurso, não quero dizer que você vai ser aprovado em todas as provas — até porque a regra é reprovar, infelizmente, é uma realidade. Mas você consegue ter um balanço do que você errou e do que você acertou, e saber se realmente o grau de dificuldade foi maior na prova, ou se realmente faltam uns degraus para você ter uma maturidade de aprendizado, ou se realmente você não sabe nada.

E quando eu comecei a evoluir em questões de concurso e em provas, eu comecei a entender que, quando eu levava para a prova, aquilo que eu acertava era realmente algo que eu aprendi. "Isso aqui eu acertei porque eu sei o que é." Não fui lá e marquei aquilo que eu achava que era. Não, eu sabia. Olhava para a prova e: "Hum, legal, isso aqui tá certo. Não, isso aqui tá errado. Não, isso aqui, beleza, é isso mesmo."

Por quê? Porque eu já tinha um grau de maturidade, tanto de aprendizado quanto de memorização. Porque a gente sabe que o aprendizado não é só questão de você saber — como eu falei agora pouco, você olhar para uma questão e entender que aquilo tem uma coisa errada, ter ali o que a gente costuma dizer até uma "intuição" (que na verdade não é bem uma intuição, mas você olhar para a prova e saber que tem termos ali que não estão adequados, que estão errados ou não).

Vê quantas desmemorização? "Pô, isso aqui eu sei que não é." Há o alcance, por exemplo, para quem estuda infraestrutura: o alcance desse cabeamento aqui é de 100 metros. O alcance habitual desse cabo aqui é de 100 metros. Por quê? Porque você memorizou a diferença entre uma fibra ótica monomodo (que tem o maior alcance) e uma multimodo (que tem o menor alcance). Ou seja, são coisas que você fixou, entendeu, compreendeu e memorizou.

Ou seja, coisas que vão ficar na sua mente pelo seu aprendizado e pela sua memorização também, porque tudo é um conjunto. E isso o estudante tem que saber, tem que aprender: que você precisa aprender, e muitas coisas é memorizar.

Então, se você tem interesse em ser aprovado em concurso, trabalhe a sua mente para ser um estudante, e não para ser um aluno. Para você não falar para mim: "Ah, eu fechei o edital, consegui assistir todas as videoaulas, consegui ler todos os PDFs". Mas e aí, como está o seu desempenho?

Quer desenvolver a mente de estudante e ser aprovado em concurso de TI?
Na minha mentoria, eu te ajudo a construir essa mentalidade, a aprender de verdade — não apenas decorar — e a aplicar o conhecimento tanto nas provas quanto no dia a dia do serviço público.

🚀 Quero Desenvolver a Mente de Estudante

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